terça-feira, novembro 30, 2004

23. Arqueo News - Colapso no Museu Arqueológico de Iraklion

Há alguns dias falei sobre a minha ida a Creta (post nº 6), onde mencionei o estado do Museu Arqueológico de Iraklion (riquíssimo em material, paupérrimo em organização)... Pois, nem a propósito... A Associated Press noticiou há já alguns dias o colapso do telhado de uma das alas do museu, o que terá danificado diversos recipientes cerâmicos originários de Zakros (datados do Minóico Antigo, ou seja datados de cerca 1,900 anos a.C.).

Link para a notícia (AP, via CBC News)

segunda-feira, novembro 29, 2004

22. Falar de Boca Cheia no IPA

Chegou-me a seguinte notícia:

Na próxima quinta-feira, dia 2 de Dezembro, pelas 12h30, no CIPA (Instituto Português de Arqueologia) a Marta Moreno e o Carlos Pimenta vão apresentar no Falar de Boca Cheia...

Através dos ossos - I
O silêncio musical dos abutres – asas para tocar!...


21. PaleoAntro News: contra Homem das Flores

A propósito do Homo florensiensis (ver post nº 2), as vozes dissidentes fazem-se ouvir:

Science - Skeptics Question Whether Flores Hominid Is a New Species (Michael Balter) em pdf

e já agora o The Loom - Hobbit Limbo?.

20. Neandertais e Modernos: ter ou não ter FOXP2

Paul Mellars, professor da Universidade de Cambridge, acaba de publicar na Nature um artigo intitulado Neanderthals and the modern human colonization of Europe (Nature 432 [7016] 461-5), onde escreve que a substituição dos Neandertais pelas populações de Homo sapiens modernos se pode dever ao cérebro mais avançado destes e à sua linguagem mais elaborada. Sugere também que essas populações, originárias da África Meridional, poderiam possuir já o gene FOXP2 que recentes estudos genéticos relacionam com capacidades mais avançadas de linguagem.

In Cambridge Network News:
Strong clues to these mental abilities have been provided by recent archaeological discoveries in Africa, which suggest that the capacities to produce abstract art, personal decorations, elaborate bone tools and more efficient hunting weapons appeared in South Africa between 80,000 and 100,000 years ago. This, most probably, reflects new language structures and more advanced patterns of social co-operation and communication among the new Homo sapiens populations.

Equipped with these new abilities, the Homo sapiens people who entered Europe in the middle of the last ice age would have been able to compete much more effectively with the local Neanderthals for food, hunting territories and the scarce fuel supplies that were essential to survival in the harsh, treeless landscapes of Europe.
In addition, DNA recovered from Neanderthal skeletons and from skeletons of early modern humans indicates that there was very little if any interbreeding between the two populations. It also suggests that they belonged to biologically separate species.
Professor Mellars commented: ' It was presumably the more advanced intelligence, language and behaviour of the new Homo sapiens populations that provided the foundations of all the later developments in culture and advanced civilisations in Europe and elsewhere.'

Ver também:

National Geographic: Neandertals Beaten by Rivals' Word Skills, Study Says (James Owen)

Sobre o gene FOXP2, ver:


National Geographic: Scientists Identify a Language Gene (Bijal P. Trivedi)

New York Times: Early Voices: The Leap to Language (Nicholas Wade)

19. Quando os ossos revelam História...

Lamento a ausência prolongada, mas por vezes os afazeres obrigam-nos a tanto. No entanto, como as ausências nem sempre são sinónimo de vazio, aproveito para partilhar uma das agradáveis surpresas que a semana passada me reservou…

Num dos intervalos permitidos, deambulei um pouco pelas exposições actualmente patentes no Museu Nacional de Arqueologia. Uma delas (já anteriormente exposta no “Espaço Monsanto”) intitula-se «Quando os ossos revelam História...» e foi organizada por Marta Moreno García, Carlos Pimenta e José Paulo Ruas, do Instituto Português de Arqueologia. Trata-se de uma pequena viagem ao mundo da arqueozoologia, pedagogicamente muito bem construída e com linguagem acessível, com direito a espaços interactivos em que o público pode tocar e simular o trabalho dos investigadores que lidam com as faunas em contextos arqueológicos. Tenho a certeza que o público mais jovem que diariamente visita o MNA encontra aqui um dos pontos altos da sua passagem pelo museu e que os mais velhos ou mais conhecedores também não deixam de apreciar essa visita aos documentos ósseos.

Gostei. Recomendo. E relembrei-me, mais uma vez, da frase de Lewis Binford: «It may come as a surprise to some that most of the behavioural ideas regarding our ancient past are dependent on the interpretation of faunal remains and depositional context — not, as most textbooks would lead one to believe, stone tools» (in Bones. Ancient Men and Modern Myths, 1981).

quarta-feira, novembro 24, 2004

18. Tesouros da arqueologia portuguesa 1 – Longínqua noticia acerca das grutas de Cesareda

[Inicio aqui um (esperado) conjunto de notas dedicadas a personagens, obras ou momentos que julgo fazerem parte do sumo da história da arqueologia portuguesa. À laia de desculpa, acuso a ressaca associada à actual ausência de leccionação…]

Nery Delgado


Em 1867, Nery Delgado publicou um estudo intitulado Da existencia do homem no nosso solo em tempos mui remotos provada pelo estudo das cavernas. Noticia ácerca das grutas de Cesareda. Emblemática do período fulgente que a arqueologia portuguesa atravessava, e que haveria de ser coroado em 1880 com a realização em Lisboa do afamado IX Congresso Internacional de Antropologia e Arqueologia Pré-históricas, esta obra elevou os padrões analíticos da arqueologia muito acima do que era usual na época (ou até posteriormente).

Neste trabalho, acerca da gruta actualmente chamada Casa da Moura, Nery Delgado apresenta o exame pormenorizado dos dois níveis arqueológicos descobertos (o superior, de idade holocénica, atribuído ao Neolítico, e o inferior, de idade plistocénica), confessando que a sua principal preocupação é a obtenção de dados que comprovem a coexistencia da nossa espécie com as espécies extintas de mamíferos, num visível reflexo da fase embrionária em que a arqueologia pré-histórica se encontrava. Tal necessidade é acompanhada de detalhada descrição dos depósitos faunísticos, e guarnecida das primeiras, se bem que curtas, considerações de carácter eminentemente tafonómico em Portugal.

[Tafonomia aqui entendida como o estudo da reconstrução dos processos de formação de sítios arqueológicos que permitam inferências sobre o comportamento humano do passado, uma disciplina desenvolvida apenas muito mais tarde, após a segunda metade do séc. XX, e em particular a partir dos anos Oitenta.]

Nessas considerações, Nery Delgado enumera as possíveis origens e causas das camadas d’ossos nas cavernas ossiferas: o transporte sedimentar ou hidraúlico, os carnívoros que utilizaram a gruta como covil, ou a acção humana. Mais, menciona a possibilidade da gruta ser um palimpsesto: é tambem evidente que algumas cavernas podem ter sido cheias por mais de uma d’estas causas que temos apontado, obrando em tempos diversos; que uma gruta, por exemplo, que primeiramente recebeu deposito de transporte nos quaes iam misturados ossos de mamíferos, viesse depois a servir de covil a animaes carnivoros, ou a ser habitada pelo homem n’uma época posterior, e vice-versa.

Por fim, fundamentando o provérbio “no melhor pano caí a nódoa”, considera que o principal agente da deposição e da modificação dos ossos no nível plistocénico foi o homem… hipótese que estudos mais recentes acabaram por afastar. Contudo, não será este “pequeno” facto que, certamente, não lhe retirará o mérito ou o ajuizado retrato que dele faz a historiografia arqueológica portuguesa.

Para saber mais:
Nery Delgado – Museu Geológico de Lisboa
Nery Delgado – Instituto Camões
Zilhão, J. (1993) – As origens da arqueologia paleolítica em Portugal e a obra metodologicamente precursora de J.F.Nery Delgado. Arqueologia e História, 3 (série 10), pp. 111-125.

terça-feira, novembro 23, 2004

17. A propósito da "Faro - Capital Nacional da Cultura"

Foi com muito agrado que recebi, há algumas semanas atrás, a notícia de que o meu estimado colega António Rosa Mendes tinha sido indigitado para o comissariado da "Faro Capital Nacional da Cultura", convite que posteriormente aceitou. Aproveito a entrevista hoje divulgada pelo Jornal “Região Sul” para lhe desejar um bom trabalho, certa que o seu distinto conhecimento da história e da cultura algarvias serão uma mais valia para a organização do evento. Mais espero que lhe facultem os meios necessários para que possa efectivamente levar a bom porto tal empresa, em especial tendo em conta que é notório que atravessamos, nacional e regionalmente, uma fase menos boa para a generalidade dos empreendimentos culturais.

segunda-feira, novembro 22, 2004

16. Arqueo News - Exposição "As Fortalezas do Mediterrâneo Ocidental"

Vai ser inaugurada no dia 3 de Dezembro a exposição intitulada "As Fortalezas do Mediterrâneo Ocidental" que estará patente ao público no Arquivo Histórico Municipal de Vila Real de Santo António até ao dia 12 de Janeiro.
Nesta exposição poderão ser apreciados 38 castelos de várias zonas de Itália, Espanha, Marrocos e Portugal, respeitantes às regiões que fazem parte do Projecto CASTRUM como a Região de Piemonte (Itália), coordenadora do projecto e ainda de outras regiões italianas como Valle d'Aosta, Liguria, Emília Romana, Toscana, Umbria, Lazio e Calabria, da Região de Múrcia (Espanha) e da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António.

Fonte: Algarve Digital

domingo, novembro 21, 2004

15. Blog científico a seguir: The Loom

Carl Zimmer, aclamado autor de vários livros dedicados à ciência e contribuinte para diversas publicações (como o The New York Times Magazine, a National Geographic, a Science, a Newsweek, a Discover, a Popular Science e a Natural History), tem um blog intitulado The Loom que merece a pena seguir com atenção.

Entre as últimas entradas que fez, uma dedica-se ao Pierolapithecus catalaunicus e outra ao Homo florensiensis, ambos já falados aqui no *Estopadas Arqueo(b)lógicas*).

Boa leitura!

14. A visitar – Hominidés: Evolution de l' homme de la préhistoire à nos jours et de Toumaï à l'Homo sapiens

Para quem se interessa por paleoantropologia, e em particular pela evolução do Homem, deixo aqui a referência a um site francês que me parece sério e bem actualizado (apesar de algo confuso pela quantidade e formato da informação disponível). Rivaliza com outros sites mais conhecidos, talvez porque anglo-saxónicos, como o Becoming Human do Intitute of Human Origins.


Link a Hominidés.com


sábado, novembro 20, 2004

13. PaleoAntro News - "Elo perdido" encontrado na Catalunha

A Science publica e outros media online noticiam (National Geographic, BBC, Nature, entre outros) a descoberta de novos restos fósseis de mais um (!) possível “missing link” entre o ramo humano e o dos grandes macacos actuais. Foi descoberto aqui na vizinha Espanha (Els Hostalets de Pierola, Catalunha) e tem cerca de 13 milhões de anos (Miocénico).

O espécime consiste em 83 ossos de um adulto macho que se estima ter tido cerca de 55 quilos e ser semelhante a um pequeno gorila. Foi denominado de Pierolapithecus catalaunicus.

[Adenda a 21.11.2004 - A propósito da ideia mediática de missing link ver "Old Apes and Bad Links" de Carl Zimmer]


Pierolapithecus catalaunicus

sexta-feira, novembro 19, 2004

12. A prova da viagem no tempo: Kennewick Man is French

Qual não foi o meu espanto quando descobri (sim, eu mesma!) que o Homem de Kennewick (um dos mais antigos esqueletos humanos das Américas, com cerca de 8,400 anos) é a prova inequívoca da viagem no tempo. Como? Olhem bem para a imagem em baixo… O Homem de Kennewick é igualzinho ao Comandante Jean-Luc Picard da nave USS Entreprise, que como alguns sabem viverá no séc. XXIV.
Frente a isto, está resolvida a questão: o Homem de Kennewick é efectivamente um caucasiano, uma vez que o Picard nasceu em França. Logo… todos os americanos são descendentes dos franceses. Mmmm… acho que vou telefonar à CNN (e já agora ao Bush! Os Republicanos vão adorar... e os franceses também).


Kennewick & Picard

11. «O Livro da Selva» e a perda da inocência

Ouvi há pouco na TSF que já lá vão 10 anos do reconhecimento oficial das gravuras do Côa. Não me lembrava exactamente da data, mas recordo bem o período conturbado do Verão de 1994 com os jornais para cá e para lá a noticiar a opinião e contra opinião de sábios, políticos e sociedade em geral. Lembro-me também do impacto que todo esse processo teve na formação de tantos jovens estudantes de arqueologia, meus pares.
Foi mais ou menos nessa altura que me licenciei e recebi como simpática prenda de um amigo “O Livro da Selva” de Kipling, numa deliciosa referência à especialidade em que então me iniciara (arqueozoologia ou zooarqueologia… deixo este debate vocabular para outro post). Escrevia, esse meu amigo, na primeira folha, qualquer coisa alusiva à minha ainda inocência nos meandros da arqueologia, inocência e sonho que ele esperava que eu não perdesse, apesar de estar crente de que tal fosse quase inevitável.
Em certa medida todo o processo do Côa marcou, e marca ainda, uma geração (talvez mais que uma!). Sonhos… alguns feitos desilusões, outros nem por isso (afinal, considero-me uma optimista). O mais recente panorama deste processo d.C. (depois do Côa, como já alguém disse) é, efectivamente, desértico. As já por si escassas verbas que a arqueologia (leia-se IPA) tinha para funcionar foram ainda mais reduzidas. Obras prometidas teimam em avançar. E até já a minha universidade obstina em se juntar, paulatinamente, a essa desertificação que teima em tomar conta também dos meios académicos da arqueologia (já por si muito aquém do que deviam fazer).
Recebi recentemente a notícia que muito possivelmente o reitor da Universidade não irá afectar nenhum dos antigos espaços, libertos pela construção do novo edifício da Faculdade de Economia, à minha faculdade. Deste modo, não há novos laboratórios de arqueologia… e continuaremos todos encafuados no escasso espaço laboratorial existente que para tudo serve: restauro, aulas, investigação, trabalhos de seminário e até reuniões de departamento!
Tais deambulações servem antes de mais para deixar aqui expresso o meu espanto com a dicotomia da investigação científica e gestão cultural no nosso país… Podemos recorrer a dinheiros comunitários para trazer até nós colaboradores estrangeiros ou para financiar a formação avançada de docentes. Podemos até vangloriarmo-nos de sermos pioneiros na consagração do património face a algumas exigências económicas… Mas, depois, não há verbas para a investigação, não há verbas para a manutenção básica da gestão do património (por exemplo, acho absolutamente escandalosa a situação em que algumas das ET’s do IPA se encontram com um arqueólogo a ter que dar conta de um território enorme!) e… nem sequer há espaços para que possamos trabalhar condignamente e fazer o melhor pela formação dos nossos alunos. Esta dicotomia relembra-me o que um colega ainda outro dia desabafou: as pessoas podem ir a um hipermercado comprar 6 copos por 3 euros e pensam que isso lhes traz qualidade de vida. Estaremos nós convencidos que lá por termos alguns dinheiros comunitários nos tornámos um país de topo no que se refere à ciência, à educação e à cultura?!
Meu querido amigo: acho que perdi a inocência. Quantos andarão por aí como eu?

quinta-feira, novembro 18, 2004

10. Arqueo News: Atlantis just on the corner! (link)

É preciso ter paciência!
Deve ser o milésimo a descobrir a “pólvora”… Então ele não leu o “Enigma da Atlântida”? Todos nós sabemos que ela fica para ali para os lados dos Açores. Bah!

Blake & Mortimer

Apesar de tudo sempre gosto mais da teoria do Collina-Girard (senhor muito simpático, que conheço das minhas idas ao laboratório de Préhistoire et Archéologie da Maison Méditerranéenne des Sciences de l'Homme), em que a Atlântida fica um pouco a oeste de Gibraltar. Obviamente.


9. Arqueo News - Nova exposição no MNA

Inaugura hoje, 18 de Novembro às 18:30, no Museu Nacional de Arqueologia (Mosteiro dos Jerónimos - Lisboa) a exposição dos trabalhos apresentados no Concurso Público para o projecto do Museu de Arte e Arqueologia do Vale do Côa. A exposição vai estar patente até 7 de Janeiro de 2005.

É bom saber que há algum progresso no "projecto Côa"... mesmo que, de momento, não passe de um preâmbulo. Quando começarão as obras? E as do próprio Museu Nacional... com a tão necessária abertura de uma exposição permanente (essa, sim, que mostre ao público interessado a verdadeira dimensão do património arqueológico português)? Senhora(es) Ministra(os) da Cultura... ainda andamos a adiar o prometido? Serão mais uma vez aplicadas as sagradas razões orçamentais? (a propósito, deêm um salto ao Arqueoblogo e vejam o post nº 338!)

8. Novidades Bibliográficas 1

Acabou de ser publicado em paperback um aliciante livro sobre a historiografia dos caçadores-recolectores, com 17 artigos de trabalhos apresentados na Ninth International Conference on Hunting and Gathering Societies (CHaGS 9) em Edinburgh 2002.

Hunter-Gatheres in History, Archaeology and Antropology
ed. Alan Barnard
Berg Publishers
July 2004, 288 pp.
HB 1859738206 £50.00 $79.95
PB 1859738257 £16.99 §26.95

Descrição e outras citações:
(nota: infelizmente não consegui ter acesso ao índice)

This book provides a definitive overview of hunter-gatherer historiography, from the earliest anthropological writings through to the present day. What can early visions of the hunter-gatherer tell us about the societies that generated them? How do diverse national traditions, such as American, Russian and Japanese, manifest themselves in hunter-gatherer research? How does current thinking on the subject reflect trends within the social sciences? Answering these questions and many more, this book provides a much-needed assessment of the history of thought on one of science's most intriguing subjects. (Berg Catologue)

The seventeen papers, mostly originating at the Ninth International Conference and Hunting and Gathering Societies held in Edinburgh in 2001, examine the idea of hunter-gathering through history whilst reflecting the `diversity in world anthropology'. Its aim is to provide a `unique contribution to understanding the many ways in which anthropologists, archaeologists and oter scholars have approached and do approach the study of hunter-gathering societies'. An introductory essay discusses fundamental developments in the study of hunter-gatherers, including recent trends which focus on the `affluence' of hunter-gathering societies and their property. The input of ethnographic analogy has also affected profoundly hunter-gatherer studies. The remaining papers are divided into sections on early visions of hunter-gatherer societies, local traditions in research (including Germany, the Soviet Union, Siberia, Japan and India), and reinterpretations. This last section includes an assessment of the contribution of American anthropology and archaeology. (Oxbow Books, UK)

Throughout its history, anthropology has based its most potent prototypes of core humanity on what was known of hunting and gathering peoples. But ethnographic and archaeological studies from around the world, of ever-greater depth and sophistication, have given us the means to challenge these prototypes. It is time to take stock of these studies, to place them in the historical and regional contexts of developing traditions of anthropological research, and to consider how they have responded to wider currents of thought. The Ninth International Conference on Hunting and Gathering Societies, held in Edinburgh in 2002, was convened to do just that. In this volume Alan Barnard has assembled some of the most outstanding contributions to the conference, to provide a benchmark assessment of the past achievements and future prospects of hunter-gatherer research. (Tim Ingold, Univ. of Aberdeen)

Alan Barnard é professor de antropologia na University of Edinburgh. Dedica-se essencialmente ao estudo das sociedades de caçadores-recolectores na África Meridional, com particular ênfase nas populações Khoisan.





quarta-feira, novembro 17, 2004

7. Fotos de Creta


Kamilari
Phitoi em Malia
Mosaico ortodoxo



Duas estatuetas femininas (MAH)




Salada Grega (Mmmm...)
Festos com Mesara ao fundo
Sala da Rainha em Cnossos

6. Por Terras de Minos e Ariadne

Em inícios de Outubro concretizei um sonho com mais de 10 anos. Pois... fui a Creta. Longe vão os tempos em que para a cadeira de História das Civilizações Pré-Clássicas fiz um trabalho sobre a Civilização Minóica (lembram-se daquela estória sobre um tal de Rei Minos? Esse mesmo).

Digo-vos eu, uma estudiosa do Plistocénico (embora ultimamente me ande a aproximar, quase diria perigosamente, do Holocénico), que fiquei completamente enfeitiçada por uma cultura da Idade do Bronze. Dir-se-ia que, tal como uma criança, qualquer estória que mete reis, rainhas, monstros, deuses e deusas, vinganças, amor e sangue, se me torna irremediavelmente fascinante. E pronto, finalmente, após uma década, lá rumei eu a Creta, com a Deusa das Serpentes e outra iconografia em mente.

A vida é feita de decepções e contentamentos. A dita viagem a Creta foi um misto de ambos. Senão vejamos:

Contentamentos:

1. Creta é um paraíso arqueológico. Nunca visitei tantos sítios num tão curto espaço de tempo: Cnossos, Malia, Festos, Kamilari, entre outros. Quem me acompanhava levou uma real estopada arqueológica!

2. Festos e Kamilari são dois sítios únicos. Pelas estruturas visíveis e pela vista.
Festos (ou Phaestos) fica no topo oriental de uma colina sobranceira à planície mais abastada de Creta (Mesara). A sua maior atracção é o enorme palácio, relativamente bem conservado, construído durante o Proto-Palaciano (c. 1900-1700 a.C.) e destruído no Neo-Palaciano (c. 1490-1470 a.C.) (nota: Festos foi ocupado anteriormente, mas dessas ocupações pouco restam, senão alguns materiais no Museu Arqueológico de Heraclion).
Kamilari foi uma das melhores surpresas arqueológicas da viagem. Também localizada no topo de uma pequena colina, fica muito perto de Aghia Triada e, por conseguinte, igualmente muito perto de Festos. Trata-se de um grande tholoi minóico (a câmara tem mais de 7m de diâmetro, a que se juntam alguns anexos), cuja principais ocupações (funerárias, claro) datam do Minóico Médio (MM) ao Minóico Tardio (LM) (i.e. de 1750 a 1400 a.C.). Melhor de tudo? Estive lá durante cerca de 1 hora totalmente sozinha!

3. Creta é barata. Estadia, comida e bebida. A estadia é barata, mesmo para os padrões portugueses (numa estalagem com óptima vista sobre o Mediterrâneo e longe do rebuliço da Aghia Pelagia paguei cerca de 25€/dia por um estúdio). Come-se razoavelmente em quase todos os sítios: a chamada salada grega com aquele maravilhoso queijo feta (Choriatiki Salata), as almôndegas fritas (Keftedes), os rolinhos de folhas de videira com arroz (Dolmades) e as lulinhas fritas (Kalamarikia) são, para mim, as melhores iguarias. O vinho é bom (em espacial o de Arhanes) e o Raki (aguardente) ainda é melhor. Ah, isto para não falar do iogurte. Mmmm.

4. A paisagem natural de Creta: as profundas gargantas, a água do mar cristalina e as altas serras.

5. Alguma joalharia notável e não muito cara.

6. O aprumo das igrejas ortodoxas. De meter inveja.

7. Os materiais expostos no Museu Arqueológico de Heraclion. Fariam 20 museus notáveis em qualquer sítio.

Decepções:

1. Os gregos (ou serão os cretenses em particular?) não são o povo mais simpático do mundo.

2. O comércio de pechisbeques aos magotes.

3. Os milhares de casas que parecem inacabadas.

4. A sujidade que parece imperar por quase todo o lado: praias, cidades, estradas.

5. A loucura do trânsito e dos condutores. Uma única “via rápida” com apenas uma faixa de cada lado, cortadas por *dupla linha contínua* constantemente violada e a mania de guiar na berma (à laia de segunda faixa).

6. A confusão e desorganização do Museu Arqueológico de Heraclion e de Cnossos. É claro que os milhares de turistas também não ajudam. Nem os pseudo-guias que se nos tentam impingir em Cnossos com o “Speak english? Speak english?”. Claro quando fiz uma pergunta aos guias oficiais do museu… opsss… não sabiam falar inglês lá muito bem! Nem francês, nem espanhol e, certamente, nem português. Era tudo grego para eles!

7. O marasmo aparente da arqueologia grega. Cnossos foi escavada pela escola britânica (e mal ou bem por Evans). Malia pela escola francesa. E Festos (e Kamilari) pela escola italiana. Gregos? Aparentemente nem vê-los. Publicações? Poucas, de qualidade duvidosa e na maioria com mais de 20 anos.

Compito geral? Gostei, mas só recomendo aos aficionados da arqueologia. Ah, lamento confessar, mas apesar de adepta da União Europeia (todavia, talvez não exactamente esta…) e como tal europeísta, vim de Creta com um maior orgulho em Portugal e quiçá um pouco mais nacionalista. :)


Links:
Cronologia e História do Egeu (Ing.)
Principais sítios arqueológicos de Creta Minóica (Ing.)



5. Quiz Show - 1, 2, 3... De macaco a Homem

A BBC resolveu colocar online um questionário sobre os conhecimentos acerca da evolução humana. Tem alguma piada.

Link

4. Arqueo News - Processo de classificação do Bairro Alto

O jornal Público noticia hoje que o IPPAR vai finalmente iniciar o processo de classificação do Bairro Alto, em Lisboa. Até que enfim.

Segundo o jornal, a proposta de classificação deste conjunto urbano tem como limites, a nascente, a Rua da Misericórdia, a Rua de S. Pedro de Alcântara e a Rua D. Pedro V. Já a poente, o contorno é desenhado pela Rua do Século, enquanto a sul o limite virado ao rio é a Calçada do Combro, o Calhariz e a Rua do Loreto, não incluindo o Largo de Camões.

Resta saber em que moldes se fará a gestão, como bem apontou o historiador do urbanismo Walter Rossa.

Ver notícia (link temporário)

terça-feira, novembro 16, 2004

3. National Geographic - Darwinismo e evolução

Já que falamos de evolução (ver post 2), a National Geographic de Novembro traz um interessante artigo sobre a teoria darwinista da evolução e sobre as críticas que actualmente sobre ela recaem. Afinal, teria Darwin errado? A ciência por poucos euros sabe ainda melhor. :)

National Geographic Online (versão incompleta do artigo publicado)

2. PaleoAntro News - Homem das Flores

De quanto em quanto tempo, surge uma notícia acerca de um qualquer hominídeo descoberto algures e especula-se sobre o lugar que ocupa na nossa "árvore evolucionária".

Uma das mais recentes descobertas foi publicada por Brown et al. na revista Nature (vol. 431), no passado dia 28 de Outubro.

Atente-se que, mal grado a "estatura científica" da publicação, tenho ainda as minha dúvidas... Veremos.



Homo florensiensis
@ Nature 431 (2004) Posted by Hello

Voltando ao assunto...

Trata-se da mais pequena espécie humana, aparentemente descendente do Homo erectus.

Recentes escavações na remota Ilha das Flores (no grupo das pequenas ilhas Sunda da Indonésia, donde também faz parte Timor) puseram a descoberto esqueletos de antigos hominídeos não maiores que uma actual criança de 3 anos. Consideravelmente mais pequenos que os pigmeus da África equatorial, estes humanos das Flores parecem ser os mais pequenos hominídeos jamais encontrados. As descobertas iniciais de um crânio adulto e um esqueleto parcial foram feitas em Setembro de 2003 na Liang Bua Cave nas Flores, por uma equipa de arqueólogos e paleoantropólogos do Indonesian Centre for Archaeology em Jakarta, dirigidos por Michael Morwood da University of New England em Armidale, Austrália.

Estes investigadores concluíram que os esqueletos, que aparentam uma mistura de traços anatómicos primitivos e evoluídos, devem descender da população Homo erectus que terá chegado às Flores há cerca de 840 mil anos atrás. Tal como outras populações de grandes e antigos animais que ocuparam ambientes insulares, esta espécie terá sofrido reduções no seu tamanho, graças ao extremo isolamento que as ilhas representam. Estes novos achados parecem, assim, representar uma espécie hominídea completamente nova, nomeada Homo florensiensis (i.e. Homem das Flores).

Estes diminutos humanos teriam um cérebro do tamanho do chimpanzé (cerca de 1/3 do cérebro huamano actual); todavia, teriam capacidades mentais para produzirem variados instrumentos, como lascas, perforadores e pontas, que aparentemente são mais sofisticadas que os elaborados pelo Homo erectus. Do mesmo modo, estes arcaicos humanos conseguiam caçar os primitivos elefantes anões da região, o que demonstra um certo grau de comunicação e planeamento. Os estratos onde foram encontrados os esqueletos também continham evidências de lareiras e ossos de roedores gigantes e de dragões de Komodo. Mas espantoso ainda é o facto destes Homo florensiensis aparentemente estarem presentes nas Flores desde 95 a 13 mil anos atrás. A contemporaneidade de uma espécie mais primitiva de humanos com o Homo sapiens está a modificar as perspectivas acerca da variação e adaptabilidade do género Homo.

Para saber mais:

Especial Nature sobre a descoberta (Ing.): debate, opiniões, mapas, fotos...
Download do artigo da Nature (Brown et al.) (em pfd)
Artigo sobre as causas do nanismo e gigantismo em ambientes insulares (Ing.)
Outro artigo sobre o tema @ Archaeology - AIA (Ing.)

1. Sorry Every Body - :)

Segui a maratona das eleições norte-americanas com demasiada atenção. Demasiada porque a decepção foi, assim, um pouco maior... CNN online, NY Times online, RTP... tudo estave ligado até altas horas. E eu lá perdi algumas horas de sono.

É certo que fiquei desiludida, embora não estivesse muito crente na vitória do Kerry. Para nós, portugueses e europeus, foi o adiar triste de uma mudança de ventos. Mas, para os 49% de norte-americanos que votaram democrata (e neles incluo alguns bons amigos), a decepção foi muito maior. Um deles enviou-me o endereço de um site irreverente, que não deixa de me lançar um sorriso complíce: http://www.sorryeverybody.com/. Merece a pena a visita.

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