terça-feira, novembro 16, 2004

2. PaleoAntro News - Homem das Flores

De quanto em quanto tempo, surge uma notícia acerca de um qualquer hominídeo descoberto algures e especula-se sobre o lugar que ocupa na nossa "árvore evolucionária".

Uma das mais recentes descobertas foi publicada por Brown et al. na revista Nature (vol. 431), no passado dia 28 de Outubro.

Atente-se que, mal grado a "estatura científica" da publicação, tenho ainda as minha dúvidas... Veremos.



Homo florensiensis
@ Nature 431 (2004) Posted by Hello

Voltando ao assunto...

Trata-se da mais pequena espécie humana, aparentemente descendente do Homo erectus.

Recentes escavações na remota Ilha das Flores (no grupo das pequenas ilhas Sunda da Indonésia, donde também faz parte Timor) puseram a descoberto esqueletos de antigos hominídeos não maiores que uma actual criança de 3 anos. Consideravelmente mais pequenos que os pigmeus da África equatorial, estes humanos das Flores parecem ser os mais pequenos hominídeos jamais encontrados. As descobertas iniciais de um crânio adulto e um esqueleto parcial foram feitas em Setembro de 2003 na Liang Bua Cave nas Flores, por uma equipa de arqueólogos e paleoantropólogos do Indonesian Centre for Archaeology em Jakarta, dirigidos por Michael Morwood da University of New England em Armidale, Austrália.

Estes investigadores concluíram que os esqueletos, que aparentam uma mistura de traços anatómicos primitivos e evoluídos, devem descender da população Homo erectus que terá chegado às Flores há cerca de 840 mil anos atrás. Tal como outras populações de grandes e antigos animais que ocuparam ambientes insulares, esta espécie terá sofrido reduções no seu tamanho, graças ao extremo isolamento que as ilhas representam. Estes novos achados parecem, assim, representar uma espécie hominídea completamente nova, nomeada Homo florensiensis (i.e. Homem das Flores).

Estes diminutos humanos teriam um cérebro do tamanho do chimpanzé (cerca de 1/3 do cérebro huamano actual); todavia, teriam capacidades mentais para produzirem variados instrumentos, como lascas, perforadores e pontas, que aparentemente são mais sofisticadas que os elaborados pelo Homo erectus. Do mesmo modo, estes arcaicos humanos conseguiam caçar os primitivos elefantes anões da região, o que demonstra um certo grau de comunicação e planeamento. Os estratos onde foram encontrados os esqueletos também continham evidências de lareiras e ossos de roedores gigantes e de dragões de Komodo. Mas espantoso ainda é o facto destes Homo florensiensis aparentemente estarem presentes nas Flores desde 95 a 13 mil anos atrás. A contemporaneidade de uma espécie mais primitiva de humanos com o Homo sapiens está a modificar as perspectivas acerca da variação e adaptabilidade do género Homo.

Para saber mais:

Especial Nature sobre a descoberta (Ing.): debate, opiniões, mapas, fotos...
Download do artigo da Nature (Brown et al.) (em pfd)
Artigo sobre as causas do nanismo e gigantismo em ambientes insulares (Ing.)
Outro artigo sobre o tema @ Archaeology - AIA (Ing.)

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