quinta-feira, dezembro 30, 2004

52. Boas entradas em 2005

Desejo principal:
Que tal um governo novo e mais capaz? De preferência sem "santanettes".

segunda-feira, dezembro 27, 2004

51. RealClimate.org

Há blogs que merecem a pena visitar recorrentemente. O RealClimate é um deles. Foca diversas temáticas num âmbito da climatologia, entre as quais a paleoclimatologia, o que lhe confere especial interesse por parte dos arqueólogos.

50. Actualização ao post 44 (Plágios)

Joaquim Furtado (no Público de 26 de Dezembro) na A Coluna do Provedor do Leitor: Copyright na Net

Menos mal!

quinta-feira, dezembro 23, 2004

49. Ainda sobre filmes e arqueologia

O professor de História Antiga, Eugene Borza, da Pennsylvania State University, viu o filme e faz uma crítica demolidora ao filme a partir dos elementos históricos e arqueológicos.


Eu já o fui ver e a minha apreciação é que se vê bem melhor que o "Troy". O que, claro está, não significa que valha alguma coisa historicamente.

O mesmo site (Archaeological Institute of America) tem também um comentário ao filme "A Paixão de Cristo" da autoria de Andrea Berlin e Jodi Magness.

Ah, e já agora, o paleoclimatologista William Hyde da Duke University fez também há uns meses um comentário ao filme "The Day After Tomorrow" (após uma maratona de pequenas doações para prefazer os 100 dólares exigidos pelo especialista para emitir a crítica!).

48. Paradeiro dos Reis Magos

Se quiserem saber porque é que supostamente os restos mortais de Gaspar, Melchior e Baltazar (sim, esses mesmos!) estão em Colónia na Alemanha, basta dar uma saltada ao site da revista Archeology.


47. Amazonas romanas?

Segundo notícia do Times Online, parece que os exércitos romanos que combatiam na Bretanha incorporavam mulheres guerreiras. Pelo espólio associado, "the women are thought to have come from the Danube region of Eastern Europe, which was where the Ancient Greeks said the fearsome Amazon warriors could be found".

46. Sobre o bipedismo...

Após uma visita ao Pharyngula fiquei a saber que o último número do Journal of Anatomy é dedicado ao bipedismo (e evolução humana). Os artigos foram disponibilizados ao público em geral e os seus ficheiros pdf podem ser copiados.

45. Memórias de Natal


Três Reis Magos e Estrela. Que estrela?


Não querendo deixar esta quadra natalícia fora do *estopadas arqueo(b)lógicas*, venho partilhar algumas memórias. Espero que perdoem o espírito um pouco mais lamechas… é próprio da época.

Desde pequenina que tenho as minhas memórias de Natal mais-queridas, sentimentos acompanhados quase sempre de alguma imagens e música. Lembro-me bem de em casa dos meus avós colocar, invariavelmente todos os anos, uma colectânea de músicas de Natal (em vinil, claro) do gira-discos do meu Avô e esperar ansiosamente pela chegada dos meus tios e primos. A música preferida era o “Do You Hear What I Hear” cantada pelo Andy Williams (versão que se pode ouvir aqui). No hall de entrada estava uma Bíblia ilustrada aberta na “Sagrada Família” do Michelangelo e pela casa tinhamos presépios colocados estrategicamente. Houve anos em que a enigmática “Estrela de Natal”, perseguida pelos não menos enigmáticos “Reis Magos”, me fazia percorrer os livros lá de casa em busca de uma qualquer explicação mais científica, que durante alguns tempos foi acalmada pelo livro “Deuses, Túmulos e Sábios” de C.W. Ceram (hoje estas explicações “arqueo-astronómicas” estão muito mais desenvolvidas, senão veja-se o que o astrónomo Mark Kidger diz sobre o assunto). E quase sempre as perspectivas de abrir os presentes à meia-noite eram esquecidos quando à mesa nos reuniamos para jantar: perú recheado, bacalhau com natas e um sem fim de doces (filhóses, rabanadas, papos de anjo, farófias, fatias douradas, sonhos e a inevitável mousse de chocolate para os mais pequenos).

Actualmente já não faço parte da geração a quem a azafama natalícia mais encanta (o enjoo do consumismo da época chega a todos, não é?); mas, é maravilhoso ver a cara sorridente do meu filho quando, nesta altura do ano, tudo se transforma, novas memórias nascem e por momentos a vida fica um pouco mais bonita.

A todos desejo um Feliz Natal.


segunda-feira, dezembro 20, 2004

44. Plágios

É com tristeza que tomei conhecimento que o Arqueoblogo (ver post 356) foi plagiado pelo jornal Público. Infelizmente parece que a moda da Clara Pinto Correia pegou. Custa assim tanto referenciar a fonte de notícia (ou mesmo apenas de inspiração)? Lamentável.

domingo, dezembro 19, 2004

43. Arqueo News Update - Flores de novo

Estão disponíveis dois ficheiros aúdio sobre o Homem (mulher!) das Flores, por dois dos cientistas (da Universidade da Nova Inglaterra, Austrália) que têm trabalhado os restos e contexto do Homo floresiensis.

1) Entrevista feita a Peter Brown (c. de 5 m.)

2) Palestra de Mike Morwood (mais de 15 m.; necessita Real Player)

Ambas as ligações foram noticiadas no PALANTH Forum.



A mais recente Science têm também um cometário de Jared Dimond sobre o assunto:

Diamond J (2004) The Astonishing Micropygmies. Science 306:2047-2048 (sumário apenas)

Sobre este comentário vale a pena dar um salto ao Pharyngula, um blog dedicado a vários temas biológicos, da autoria de PZ Myers da Universidade do Minnesota, Morris (aconselho a visita regular).

42. Arqueo News update - A flauta de Geissenklöesterle

Ainda sobre a flauta mencionada no post 39...

Segundo notícias mais recentes (e por conseguinte mais detalhadas) sobre o assunto, a flauta foi encontrada em Geissenklösterle, onde já tinham sido encontradas as referidas duas flautas feitas em osso de cisne. Segundo Nicholas Conard da Universidade de Tübingen (Alemanha) todas são provenientes de depósitos que datam de entre 37 e 30 000 anos.

É efectivamente um objecto de qualidade rara, feito originalmente de dois pedaços de marfim de defesa de elefante que terão sido depois colados.

Para saber mais:

Revista Nature: Ice-age musicians fashioned ivory flute

Frankfurter Allgemeine Zeitung: Der Klang erscheint im Pleistozän: Älteste Flöte entdeckt (em alemão, mas com imagens mais detalhadas)


quarta-feira, dezembro 15, 2004

41. E outros, mais avançados, fazem o inverso...

Após as más notícias do mundo da arqueologia portuguesa (veja-se último post), nada como boas novas no mundo da web! (Assim se vê como, em Portugal, alguns andam distanciados da vanguarda científico-tecnológica... ).

Segundo o Público de hoje, os livros de algumas das grandes bibliotecas anglo-saxónicas (universitárias de Harvard, Oxford, Michigan e Stanford e pública de Nova Iorque) vão ser disponibilizados no Google (total conteúdo no caso dos livros cujos direitos já sejam públicos, excertos nos restantes).

Após uma pequena pesquisa, fiquei admirada com o avanço que este sistema já leva… Existe um subsitema do Google, chamado Google Print que já faz isso (via Google.com e não o Google.pt). Oba!



terça-feira, dezembro 14, 2004

40. Revista Portuguesa de Arqueologia sem versão on-line

Acabei de receber, em email de João Zilhão (JZ) a vários colegas, a transcrição de uma carta por ele enviada hoje ao Director do Instituto Português de Arqueologia (IPA) a respeito do cancelamento da disponibilização on-line (no sítio web do Instituto, em formato *.pdf) dos números publicados após 2001 da Revista Portuguesa de Arqueologia (RPA).

Fiquei surpreendida com o conteúdo. Não tanto pelo teor da missiva enviada ao Dr. Fernando Real, argumentativa a favor da continuação da disponibilização, mas muito mais pelo facto da opção tomada pela Direcção do IPA ser justificada, segundo JZ, como «uma decisão política no sentido de acabar em definitivo com tal disponibilização, vistos os putativos prejuízos que ela estaria a causar na política de permutas da Biblioteca do IPA».

JZ apresenta uma série de razões para que a decisão seja rectificada. Permito-me assinalar algumas das suas linhas essenciais:

(1) A decisão põe em causa «única publicação que assegura a divulgação científica e patrimonial dos resultados dos trabalhos arqueológicos levados a cabo em Portugal com a regularidade e qualidade imprescindíveis». (Sem estar neste momento a discutir em profundidade esta presumida singularidade, parece-me ser um argumento bastante pertinente no que se refere à regularidade da sua publicação e à facilidade de colocação de artigos.)

(2) A falta de disponibilização on-line vai contra a função legal da RPA (na «divulgação atempada dos resultados científicos e patrimoniais dos trabalhos arqueológicos levados a cabo em Portugal», segundo o nº1 do artigo 15º da Lei Orgânica do IPA).

(3) O cumprimento da supra referida função «está indissoluvelmente ligado à disponibilização na Internet, em formato *.pdf, dos artigos publicados» uma vez que, dessa forma, atingem um público muito mais vasto (nacional ou não; que JZ estima em cerca de 100 000 por ano), em particular tendo em conta a sua limitada tiragem.

(4) A justificação da medida tomada não é a mais adequada para exercer pressão sobre as entidades que falham na realização efectiva do intercâmbio de publicações.

JZ termina dizendo que (5) «como medida retaliatória ou de pressão no quadro dos acordos de permuta mantidos pela Biblioteca do IPA, acabar com a disponibilização da RPA no sítio web do instituto será, portanto, com toda a probabilidade, desprovido de utilidade ou eficácia, ou, na melhor das hipóteses, de êxito inseguro e alcance incerto. O prejuízo para a arqueologia portuguesa que deriva de tal medida, esse, porém, é seguro e de grande alcance».

Quanto a mim, que muitas vezes não acompanhei as opiniões de JZ, resta-me dizer que, neste assunto em concreto, e considerando os contornos relatados, tem a minha ampla concordância.

39. Arqueo News - Nova flauta paleolítica

A Reuters noticiou recentemente a descoberta de uma flauta com cerca de 35,000 anos. O achado foi feito numa gruta no sudoeste da Alemanha e a matéria-prima do objecto é marfim proveniente de defesas de mamutes.

Infelizmente não foram até agora publicadas quaisquer imagens da suposta flauta, mas, face à diversidade do material, estará certamente longe das “flautas de Isturitz” ou das “flautas de Geissenklösterle” feitas em osso de aves (contexto Paleolítico Superior inicial e datadas entre 36 e 30,000 anos).

Será interessante seguir este achado e verificar se causa tanta polémica como a alegada flauta Neandertal da gruta Divje Babe, na Eslovénia (com mais de 45,000 anos), tida por uns como o instrumento musical mais antigo da Europa (Ivan Turk, p. ex.) e por outros (Francesco d’Errico, p. ex.) como mero osso alterado por acção carnívora.

"Flautas": de Isturitz e de Geissenklösterle à direita (in d'Errico et al. 2003) e de Divje Babe à esquerda (in: http://odmev.zrc-sazu.si/zrc/index.php)

***

Actualização a 19 Dez 2004 - Post 42

segunda-feira, dezembro 13, 2004

38. Dias nebulosos



Nestes dias mais nebulosos, gosto de deambular pelo cosmos. Reequilibra-me a sensação de que, sejam as asneiras que fizermos, ele por aqui continuará. Dele não somos mais que uma nanopartícula.

Um dos meus cantinhos favoritos é a Nebulosa Cabeça de Cavalo. A Nebulosa da Cabeça de Cavalo, cujo nome oficial é Barnard 33, situa-se no sistema de nuvens moleculares de Orion, a cerca de 1500 anos-luz da Terra. É visível apenas porque a sua poeira faz silhueta contra a nébula IC 434. Muito difícil de ver com pequenos telescópios, esta imagem foi obtida pelo Canada-France-Hawaii Telescope (CFHT), com 3.6m, que opera em Mauna Kea, um vulcão havaiano adormecido.

37. Empatias

Isto de estar num momento em que me dedico apenas à investigação ou escrita, parece-me quase sobrenaturalmente irreal… Apanho-me, por vezes, em empatias longínquas; ou a olhar o que passa como se fosse o outro. Mais do que é normal. Calculo que deve ser um qualquer fenómeno psicológico.

De qualquer forma, não quero deixar de dizer: Adeus, Isabelinha… também eu te choro.

36. Mulher das Flores toma forma

Às vezes é-nos permitido algum sentido artístico.
Uma das arqueólogas que tem trabalhado na gruta de Liang Bua - Carol Lentfer - resolveu dar largas à imaginação e esculpir em argila uma reconstituição artística do hominídeo das Flores, na sua versão feminina. A ABC Science Online aproveita e publica.
(via The Loom)

quarta-feira, dezembro 08, 2004

35. Ode ao doutoramento



terça-feira, dezembro 07, 2004

34. Lutas pelo hobbit das Flores

E lá continua a confusão com o já afamado Homem das Flores (via The Loom).

Link 1

Link 2

33. O estado da língua portuguesa (na RTP)

Comecei ontem a ver o debate da RTP sobre o estado da língua portuguesa. Tive que esperar eternidades (ou pelo menos assim me pareceu) para que começasse, pois antes passava no canal televisivo público o importantíssimo “Quem quer ser milionário?”.

Enfim, lá para as 22h30, teve início o debate, com a primeira parte dedicada a uma entrevista ao Presidente Jorge Sampaio. No geral, gostei; não de tudo o que foi dito, mas gostei do entusiasmo, da visão pessoal do Presidente acerca da saúde (positiva e crescente) da língua portuguesa. Agora, verdade seja dita, a RTP esteve muito mázinha na condução da entrevista e ainda mais nos tempos de satélite que tive pachorra para ver. Aliás, hoje, em conversa de corredor com alguns colegas da Universidade, percebi que a grande maioria não aguentou os cerca de 15 minutos de intervalo após a intervenção presidencial e sucumbiu ao sono (nada como uma televisão pública com publicidade interminável para sarar insónias!). Quanto ao tempo de satélite, ou era mau tecnicamente (o presidente da CPLP passou o tempo todo engasgado, coitado... boa metáfora da realidade), ou era bacocamente aproveitado para propaganda à RTP Internacional. Sim, porque mal seria da língua portuguesa aí pelo mundo fora, sem a RTPi... Claro que tudo ficou mais claro quando entrevistaram uma menina de 8 anos que vive na Suíça com os pais (estes emigrantes portugueses de primeira geração) e lhe perguntaram o que via no canal televisivo estatal. Pobre da criança, lá balbuciou que via “coisas importantes...”. Finalmente, após insistência do enviado da RTP, acabou por atirar... “como acidentes”. Mmm, custa ter uma criança a mandar-nos com as verdades à cara, não e?! Fim do tempo satélite.

Não tive paciência para ver até ao fim. O tema era interessante, os entrevistados também, mas à meia-noite e picos, deixei de conseguir ouvir a Fátima Campos Ferreira a enganar-se nos nomes, a interromper os convidados e a dizer balelas.

Não vi até ao fim, mas parece que língua de Camões não está tão mal como inicialmente pensei. Crescendo de leitorados em universidades estrangeiras (em especial em países do leste europeu) e de estudantes estrangeiros que a querem conhecer e falar. Pena que a CPLP não funcione decentemente e que a gestão dos projectos que visam a defesa do português ande dispersa e pouco funcional. Num país de poucos recursos, como é o nosso, urge uma maior organização se queremos que a nossa língua cresça não apenas cultural, mas também económica e politicamente (já o dizia Jorge Sampaio). Que tal começarem por reestruturar a RTPi?

segunda-feira, dezembro 06, 2004

32. Contra espíritos bovinos

Merece a pena visitar o «Professorices» com regularidade, mas a notícia de que "alunos pagam professores" é fantástica.

PS. Roubei a dos "bovinos" ao comentário da DK :)

31. De (a)notar

Público 6 Dez 2004 - Necrópole da Sé de Castelo Branco

Na RTP1 hoje às 22h30 - Debate sobre a língua portuguesa

30. A rotina, a rotina

Acordar com a sensação que até ronhava mais um pouco. Porque é que o meu filho está com tanta energia às 7 e meia da manhã?! A caminho da creche com a TSF ligada… De volta da creche em busca de um sítio para tomar café, de preferência onde se sinta do Sol (ó, maravilhoso dia!). Passo os olhos pelo jornal. Compras. Buh, tenho que ir trabalhar, mas antes vou dar uma voltinha pela blogosfera. Bom dia.

domingo, dezembro 05, 2004

29. No comments...

Público, 5 Dez. 2004

sábado, dezembro 04, 2004

28. Leituras - Scientific American (Brasil) Dez 2004

Prefiro ler a original, mas esta é muito mais fácil de encontrar. O nº 31 contém 3 artigos interessantes para a arqueologia:

1. pequeno apontamento sobre o Homem das Flores;
2. artigo sobre a Gruta Chauvet e a datação das suas pinturas pelo C14, da autoria de H. Valladas, J. Clottes e J.-M. Geneste);
3. artigo sobre as mudanças climáticas bruscas, da autoria de R. B. Alley (original na SA ed. americana Nov. 2004 - em pdf).

Scientific American (Brasil) Online

Scientific American (EUA) Online

sexta-feira, dezembro 03, 2004

27. Everything we write...

Everything we write
will be used against us
or against those we love.
These are the terms,
take them or leave them.
Poetry never stood a chance
of standing outside history.
One line typed twenty years ago
can be blazed on a wall in spraypaint
to glorify art as detachment
or torture of those we
did not love but also
did not want to kill

We move but our words stand
become responsible
for more than we intended

and this is verbal privilege


Adrienne Rich, 1983
Excerto do poema North American Time em Your Native Land, Your Life (1986)

26. Gosto do Público

Segundo o Público, "o director do Instituto Português de Arqueologia (IPA), Fernando Real, e o presidente da Câmara de Vila Nova de Foz Côa, Sotero Ribeiro, mostraram-se ontem profundamente preocupados com o futuro do Museu de Arte e Arqueologia do Vale do Côa devido à situação política que actualmente se vive no país". (link)
Que estranho!

Eu gosto do Público. Não é perfeito, longe disso, mas é o melhorzinho (se bem que por vezes lá dou uma espiada nas colunas de opinião do DN). Gosto mais da parte internacional, que a nacional. Gosto ainda mais do Público à 6a feira... riu-me com o Inimigo Público, acho a Y interessante e gosto do fel a magotes do Miguel Sousa Tavares (quando não me irrita, claro). A Pública é um desperdício e a Xis dá-me muitas vezes enjoos, por isso é raro comprar qualquer jornal ao fim-de-semana (excepto em desepero de causa... na praia tudo se lê).
E ainda me recuso a comprar o Expresso, decisão com cerca de 2 anos. Não me parece que vá mudar de ideias.

A Lucinda Canelas escreve na Y sobre o filme "Alexandre" de Oliver Stone. A conclusão: uma estopada que se vê melhor que o "Tróia", cenas militares e cenários de cortar a respiração, diálogos ridiculos. Não está lá ipsis verbis mas lê-se nas entrelinhas.

Ah, em compensação gostei de ir ver o The Forgotten (Misteriosa Obsessão em português... misteriosos são os títulos que por cá se inventam!). Talvez não seja para todos, mas lá que é inesperado...

quinta-feira, dezembro 02, 2004

25. Demagogias?

Gostaria que o acesso à cultura não tivesse encargos para o indivíduo. Ou pelo menos não os tivesse directamente. Idealmente os museus públicos, tal como os monumentos ou os sítios, deveriam – na minha perspectiva – ter entrada gratuita. Porém, face às circunstâncias em que nos encontramos, não me repugna ter que pagar algo para usufruir da generalidade destes bens culturais. Repugna-me sim, atitudes que considero no essencial demagógicas, como a isenção dos moradores de Lisboa na cobrança de entrada no Castelo de São Jorge. Não, não moro em Lisboa; sim, sou lisboeta de nascença e, por vezes, de coração. Bem sei que a gestão está a cargo de uma empresa municipal, bem sei que os lisboetas pagam taxas municipais altas, mas acho efectivamente discriminatória a isenção para os locais. Se bem me lembro dos meus tempos de estudante, o Castelo de São Jorge é, no seu essencial arquitectónico, uma construção recente (a última grande intervenção é dos anos Quarenta do séc. XX), todavia, não deixa de ser um ícone da cultura portuguesa… e não só da lisboeta. E se a moda pega?!



Lisbona (1650-1700)
Publ. de R. van den Hoeije
Original na Biblioteca da Universidade de Leiden

24. Quaternário em vias de extinção?

Fiquei a saber recentemente que o “Quaternário” pode estar em vias de extinção. Consta que o termo inventado por Giovanni Arduino em 1759 (e depois reutilizado e popularizado por Desnoyers) corre o perigo de ser extinto como unidade cronoestratigráfica na Escala do Tempo Geológico (GTS – Geological Time Scale).

Originalmente considerado como a última das eras geológicas (após o Primário, Secundário e Terciário), o termo Quaternário tem vindo a ser questionado desde a substituição das eras iniciais pelos termos Paleozóico, Mesozóico e Cenozóico. Até há pouco tempo, apesar de nunca formalmente ratificado como tal, o Quaternário constava em quase todas as GTS como um sistema (unidade cronoestratigráfica) ou período (unidade geocronológica) acima ao Neogénico, agrupando o Plistocénico e o Holocénico (séries ou épocas). Todavia, mais recentemente, a International Commission on Stratigraphy (ICS) retirou o termo Quaternário da escala oficial. Em consequência, vários “quaternaristas” (incluindo a INQUA - International Union for Quaternary Research) insurgiram-se contra o facto, advogando a continuação do termo e a sua definição oficial. De notar que, face à importância que dá ao termo Quaternário (por vezes designado Antropogénico), a arqueologia desempenha papel fulcral neste processo.

Sobre o assunto, Brad Pillans (presidente da Comissão para a Estratigrafia e Cronologia da INQUA) defende que este seria o momento oportuno para redefinir o Quaternário fazendo recuar a sua base de 1,8 milhões de anos (correlacionada com o nível e da secção Vrica em Calabria, posteriormente calibrada pelos ciclos astronómicos e pela datação das rochas vulcânicas) para 2,6 milhões de anos (correspondente à base do estádio Gelasiano, por sua vez relacionado com o início da polaridade magnética Matuyama). O Quaternário passaria então a ser um sub-sistema ao invés de um sistema, não relacionado com a fronteira Pliocénico/Plistocénico (1,8 M.a.), e com uma cronologia mais longa (2,6 M.a.) (ver quadro). Esta cronologia permite, concluí Pillans, delimitar não só um período em que o clima terrestre passou a ser fortemente influenciado por glaciações bi-polares, mas também o período em que o género Homo aparece.

Quadro actual e proposta de Pillans
(em Pillans & Naish 2004)
A controvérsia acalmou nas últimas semanas com a criação de um grupo conjunto ICS-INQUA para o debate da questão. Aguardam-se desenvolvimentos.
***
Sobre o assunto:

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