24. Quaternário em vias de extinção?
Fiquei a saber recentemente que o “Quaternário” pode estar em vias de extinção. Consta que o termo inventado por Giovanni Arduino em 1759 (e depois reutilizado e popularizado por Desnoyers) corre o perigo de ser extinto como unidade cronoestratigráfica na Escala do Tempo Geológico (GTS – Geological Time Scale).
Originalmente considerado como a última das eras geológicas (após o Primário, Secundário e Terciário), o termo Quaternário tem vindo a ser questionado desde a substituição das eras iniciais pelos termos Paleozóico, Mesozóico e Cenozóico. Até há pouco tempo, apesar de nunca formalmente ratificado como tal, o Quaternário constava em quase todas as GTS como um sistema (unidade cronoestratigráfica) ou período (unidade geocronológica) acima ao Neogénico, agrupando o Plistocénico e o Holocénico (séries ou épocas). Todavia, mais recentemente, a International Commission on Stratigraphy (ICS) retirou o termo Quaternário da escala oficial. Em consequência, vários “quaternaristas” (incluindo a INQUA - International Union for Quaternary Research) insurgiram-se contra o facto, advogando a continuação do termo e a sua definição oficial. De notar que, face à importância que dá ao termo Quaternário (por vezes designado Antropogénico), a arqueologia desempenha papel fulcral neste processo.
Sobre o assunto, Brad Pillans (presidente da Comissão para a Estratigrafia e Cronologia da INQUA) defende que este seria o momento oportuno para redefinir o Quaternário fazendo recuar a sua base de 1,8 milhões de anos (correlacionada com o nível e da secção Vrica em Calabria, posteriormente calibrada pelos ciclos astronómicos e pela datação das rochas vulcânicas) para 2,6 milhões de anos (correspondente à base do estádio Gelasiano, por sua vez relacionado com o início da polaridade magnética Matuyama). O Quaternário passaria então a ser um sub-sistema ao invés de um sistema, não relacionado com a fronteira Pliocénico/Plistocénico (1,8 M.a.), e com uma cronologia mais longa (2,6 M.a.) (ver quadro). Esta cronologia permite, concluí Pillans, delimitar não só um período em que o clima terrestre passou a ser fortemente influenciado por glaciações bi-polares, mas também o período em que o género Homo aparece.



3 Comments:
Pelo que estou a ver o assunto é complicado e aparentemente sem fim visivel.
Como achega para a discussão, proponho uma nova era geológica. Refere-se ao "empedernimento" da mente humana exercido pela religião e passa a chamar-se, obviamente, Campanário!
Acho que o "Campanário" é anterior ao "Quaternário".
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