25. Demagogias?
Gostaria que o acesso à cultura não tivesse encargos para o indivíduo. Ou pelo menos não os tivesse directamente. Idealmente os museus públicos, tal como os monumentos ou os sítios, deveriam – na minha perspectiva – ter entrada gratuita. Porém, face às circunstâncias em que nos encontramos, não me repugna ter que pagar algo para usufruir da generalidade destes bens culturais. Repugna-me sim, atitudes que considero no essencial demagógicas, como a isenção dos moradores de Lisboa na cobrança de entrada no Castelo de São Jorge. Não, não moro em Lisboa; sim, sou lisboeta de nascença e, por vezes, de coração. Bem sei que a gestão está a cargo de uma empresa municipal, bem sei que os lisboetas pagam taxas municipais altas, mas acho efectivamente discriminatória a isenção para os locais. Se bem me lembro dos meus tempos de estudante, o Castelo de São Jorge é, no seu essencial arquitectónico, uma construção recente (a última grande intervenção é dos anos Quarenta do séc. XX), todavia, não deixa de ser um ícone da cultura portuguesa… e não só da lisboeta. E se a moda pega?!



3 Comments:
Aliás essa moda já pegou há muito tempo, pois há uns anos na Sé de Idanha-a-velha, recordo-me que os residentes não pagavam ingresso. Hoje ninguém paga. Até ver....
Eu, pelo contrário, acho que a cultura não é mais nem menos que a saúde, a justiça, a alimentação, etc.
Não vejo porque razão não se deva pagar, arranjando para isso sistemas que esbatam as desigualdades de capacidade financeira (como há para tantas outras situaçãoes, e para a cultura também, diga-se).
Pergunto-me se cinema não é cultura? Ou teatro? Ou um concerto? E porque razão tenho que ter entrada livre num sítio arqueológico valorizado? Os sítios melhor conservados e com mais informação que visitei na Europa tinham entrada paga.
O problema não está em fazer pagar, mas no que se oferece em troca desse pagamento e no que se faz com o dito dinheiro. Face ao que é oferecido no Portugal arqueológico em termos gerais, arriscaria que a entrada deveria ser paga... mas ao visitante.
Como sabes em Inglaterra alguns museus têm admissão gratuita. E naqueles que visitei a qualidade era óbvia (Science Museum e Tate Modern só para mencionar alguns; pagam-se apenas as exposições extraordinárias). Não me parece que Portugal o possa fazer, mas insisto que *idealmente* o património cultural *público* deveria ser gratuito (nunca o seria como é evidente, pois o financiamento público parte em grande parte dos impostos). O cinema não o é, nem o teatro, entre outros. Num país que necessariamente precisa de aumentar a sua competência cultural (e aqui não penso apenas na erudição) todos os estímulos são poucos. A gestão manda que o acesso não pode ser gracioso; que se pague, sim senhor… Eu pagarei também. Mas, então, que haja algumas contrapartidas na acessibilidade. A qualidade é mais importante, claro, como bem dizes; mas, será incompatível com a criação de facilidades de acesso? E quanto ao acesso diferenciado no Castelo de São Jorge… acharia bem mais produtiva e justificada a existência de um dia de semana com ingresso livre (tal como já existe em alguns museus dependentes do IPM).
Quanto à saúde, à justiça, à alimentação... daria pano para mangas. Mas, o exemplo liberal que nos é dado do outro lado do Atlântico não me convence.
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