terça-feira, dezembro 07, 2004

33. O estado da língua portuguesa (na RTP)

Comecei ontem a ver o debate da RTP sobre o estado da língua portuguesa. Tive que esperar eternidades (ou pelo menos assim me pareceu) para que começasse, pois antes passava no canal televisivo público o importantíssimo “Quem quer ser milionário?”.

Enfim, lá para as 22h30, teve início o debate, com a primeira parte dedicada a uma entrevista ao Presidente Jorge Sampaio. No geral, gostei; não de tudo o que foi dito, mas gostei do entusiasmo, da visão pessoal do Presidente acerca da saúde (positiva e crescente) da língua portuguesa. Agora, verdade seja dita, a RTP esteve muito mázinha na condução da entrevista e ainda mais nos tempos de satélite que tive pachorra para ver. Aliás, hoje, em conversa de corredor com alguns colegas da Universidade, percebi que a grande maioria não aguentou os cerca de 15 minutos de intervalo após a intervenção presidencial e sucumbiu ao sono (nada como uma televisão pública com publicidade interminável para sarar insónias!). Quanto ao tempo de satélite, ou era mau tecnicamente (o presidente da CPLP passou o tempo todo engasgado, coitado... boa metáfora da realidade), ou era bacocamente aproveitado para propaganda à RTP Internacional. Sim, porque mal seria da língua portuguesa aí pelo mundo fora, sem a RTPi... Claro que tudo ficou mais claro quando entrevistaram uma menina de 8 anos que vive na Suíça com os pais (estes emigrantes portugueses de primeira geração) e lhe perguntaram o que via no canal televisivo estatal. Pobre da criança, lá balbuciou que via “coisas importantes...”. Finalmente, após insistência do enviado da RTP, acabou por atirar... “como acidentes”. Mmm, custa ter uma criança a mandar-nos com as verdades à cara, não e?! Fim do tempo satélite.

Não tive paciência para ver até ao fim. O tema era interessante, os entrevistados também, mas à meia-noite e picos, deixei de conseguir ouvir a Fátima Campos Ferreira a enganar-se nos nomes, a interromper os convidados e a dizer balelas.

Não vi até ao fim, mas parece que língua de Camões não está tão mal como inicialmente pensei. Crescendo de leitorados em universidades estrangeiras (em especial em países do leste europeu) e de estudantes estrangeiros que a querem conhecer e falar. Pena que a CPLP não funcione decentemente e que a gestão dos projectos que visam a defesa do português ande dispersa e pouco funcional. Num país de poucos recursos, como é o nosso, urge uma maior organização se queremos que a nossa língua cresça não apenas cultural, mas também económica e politicamente (já o dizia Jorge Sampaio). Que tal começarem por reestruturar a RTPi?

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