40. Revista Portuguesa de Arqueologia sem versão on-line
Acabei de receber, em email de João Zilhão (JZ) a vários colegas, a transcrição de uma carta por ele enviada hoje ao Director do Instituto Português de Arqueologia (IPA) a respeito do cancelamento da disponibilização on-line (no sítio web do Instituto, em formato *.pdf) dos números publicados após 2001 da Revista Portuguesa de Arqueologia (RPA).
Fiquei surpreendida com o conteúdo. Não tanto pelo teor da missiva enviada ao Dr. Fernando Real, argumentativa a favor da continuação da disponibilização, mas muito mais pelo facto da opção tomada pela Direcção do IPA ser justificada, segundo JZ, como «uma decisão política no sentido de acabar em definitivo com tal disponibilização, vistos os putativos prejuízos que ela estaria a causar na política de permutas da Biblioteca do IPA».
JZ apresenta uma série de razões para que a decisão seja rectificada. Permito-me assinalar algumas das suas linhas essenciais:
(1) A decisão põe em causa «única publicação que assegura a divulgação científica e patrimonial dos resultados dos trabalhos arqueológicos levados a cabo em Portugal com a regularidade e qualidade imprescindíveis». (Sem estar neste momento a discutir em profundidade esta presumida singularidade, parece-me ser um argumento bastante pertinente no que se refere à regularidade da sua publicação e à facilidade de colocação de artigos.)
(2) A falta de disponibilização on-line vai contra a função legal da RPA (na «divulgação atempada dos resultados científicos e patrimoniais dos trabalhos arqueológicos levados a cabo em Portugal», segundo o nº1 do artigo 15º da Lei Orgânica do IPA).
(3) O cumprimento da supra referida função «está indissoluvelmente ligado à disponibilização na Internet, em formato *.pdf, dos artigos publicados» uma vez que, dessa forma, atingem um público muito mais vasto (nacional ou não; que JZ estima em cerca de 100 000 por ano), em particular tendo em conta a sua limitada tiragem.
(4) A justificação da medida tomada não é a mais adequada para exercer pressão sobre as entidades que falham na realização efectiva do intercâmbio de publicações.
JZ termina dizendo que (5) «como medida retaliatória ou de pressão no quadro dos acordos de permuta mantidos pela Biblioteca do IPA, acabar com a disponibilização da RPA no sítio web do instituto será, portanto, com toda a probabilidade, desprovido de utilidade ou eficácia, ou, na melhor das hipóteses, de êxito inseguro e alcance incerto. O prejuízo para a arqueologia portuguesa que deriva de tal medida, esse, porém, é seguro e de grande alcance».
Quanto a mim, que muitas vezes não acompanhei as opiniões de JZ, resta-me dizer que, neste assunto em concreto, e considerando os contornos relatados, tem a minha ampla concordância.


2 Comments:
Realmente o João Zilhão tem toda a razão. Aqui no interior o acesso à revista é dificil e era até agora facilitado com os artigos on line. Assim já é mais dificil. Não é só pela dificuldade em arranjar, é também o preço que é elevado, quando a mim apenas me interessariam 4 ou 5 artigos.
É um absurdo. No momento em que nos estamos a abrir à publicação dos trabalhos cada vez mais on-line, fazem eles isto...
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