sexta-feira, fevereiro 11, 2005

75. Carta de Carlos Fabião

Carlos Fabião enviou ao forúm Archport a seguinte carta aberta...

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Caros Archportianos:

O impensável aconteceu hoje mesmo.
Com pompa, circunstância e nutrida comitiva, S. Exª o Sr. Primeiro-Ministro de Portugal, assinou hoje o protocolo de cedência das instalações da Av. Da India à escola portuguesa de arte equestre. Ironicamente, o protocolo foi assinado na futura(?) sala de leitura da nova biblioteca do IPA, em fase de acabamentos.
Pergunta-se: para onde vai o IPA?... Será que continuará a existir enquanto Instituto Público Autónomo?... Para onde vai o CIPA e o CNANS?... Será que continuarão a existir como entidades?... Para onde vai a biblioteca do IPA que, como é sabido, nasceu de uma cedência protocolada do Estado Alemão ao Estado Português, na sequência do encerramento da delegação de Lisboa do Instituto Arqueológico Alemão, e será que continuará a existir?... Claro que, numa postura cínica, poderíamos pensar ou dizer que nada disto é sério e se trata de mais uma das erráticas iniciativas do Sr. Primeiro-Ministro e que nada disto fará sentido no dia 21 de Fevereiro. Mas, parece-me, a situação é suficientemente grave para merecer uma atitude da comunidade arqueológica. Só o simples facto de tal cerimónia se ter realizado sublinha bem a enorme fragilidade de tudo aquilo que nós, arqueólogos, tomamos como institucionalmente adquirido. E, já agora, como estamos em tempo de eleições, seria bom perguntar às diversas forças políticas o que pensam fazer relativamente às estruturas que superintendem à investigação e salvaguarda do património arqueológico nacional.

Carlos Fabião (arqueólogo e docente do ensino superior da área da arqueologia)

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É caso para perguntar: o IPA vai nu?!

74. Terramoto de 1755 em Lisboa na Colecção Kozak

(c) Kozak Collection: Lisbon, Portugal earthquake, Nov. 1, 1755 (imagem KZ82A)

Acabou de me chegar à caixa de correio um link para a Colecção Kozac "Historical Images of Earthquakes" localizada na University of California, Berkeley. Merece a pena passar por lá e ver as dezenas de imagens sobre a catástrofe... Um "aviso à navegação".

quarta-feira, fevereiro 09, 2005

73. Para visitar...

... o blogue Holocénico e ver a belíssima Fraga da Pena coberta de neve.
... o blogue Arqueoblogo se não houver pachorra para a política.

Por razões diversas ambos me fizeram sorrir :)

(ambos os links aqui mesmo ao lado »»»»)

72. Manuel Heleno e os palimpsestos

Tenho estado no MNA a (re-)analizar algumas colecções provenientes de escavações efectuadas pelo Manuel Heleno nos anos 30 e 40.

Já é um tema batido nos bastidores da arqueologia portuguesa, mas efectivamente o Heleno devia ser um homem de espírito muito (mesmo muito) torcido. Há quem o defenda, e eu até posso acreditar (em alguns raros momentos) que o senhor teria virtudes… mas, livra!, quando leio os cadernos de campo dele apenas penso: que pena tenho eu que o senhor tenha posto o seu colherim neste sítio. Não era só uma questão de feitio; mais que isso, era uma questão de metodologia (ou falta dela).

Os vários sítios das Bocas em Rio Maior (e suspeito que a maioria dos locais que escavou) são disso emblema: três a quatro nomes para o mesmo local (e quem consegue identificá-los todos?), estratigrafias confusas (basta pensar que o senhor classificava os estratos ao contrário: a camada 4 é a da superfície e a camada 0+ (?!) é a do fundo! Nada como a interpretação substituir – totalmente – a observação) e organização errática dos materiais. Isto para não falar da quase certa escolha, em amostra qualitativa, dos mesmos.

Se a isso acrescentarmos aquilo a que alguns chamam de «erosão dos museus» (i.e. a crescente desordem que determinada colecção em depósito num museu vai sofrendo, à qual os investigadores que sucessivamente a estudam muitas vezes não são alheios), estudar as colecções do Heleno são uma imensa dor de cabeça.

Por isso mesmo, o MNA resolveu, em boa hora (já o devia ter feito antes!), organizar de vez as colecções do Heleno. Começou, exactamente, pelo mais difícil: Bocas. Para isso conta com o trabalho de várias jovens colaboradoras, algumas delas recém licenciadas, o que sem dúvida lhes dará um traquejo invulgar no reconhecimento de materiais arqueológicos. Sabem uma coisa?! Ainda bem que por isso optaram… para tão ingrata e árdua tarefa os neurónios tem que ser muito fresquinhos. Eu, que não sou ainda um fóssil, já não aguentava a empreitada.

Infelizmente tal não impede que, à medida que vou estudando as colecções, sucessivamente me ocorra uma pergunta: servirá para alguma coisa?! Já não basta as grutas serem em geral palimpsestos... que confiança poderemos ter em dados tão "remexidos" (mesmo antes de darem entrada no depósito)? Cá tenho para mim que, no fim, se safarão as listas taxonómicas... ou esperar mais uns largos anos e datar os restos um a um!

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Post-script: A propósito de datações... parece que o "nosso" laboratório de C14 está a recomeçar com a força toda, agora que o Monge Soares se prepara para defender a tese de doutoramento (aqui mesmo ao lado da FCHS). Força!

71. Congresso

(agora via email da minha estimada colega Cristina Gameiro)

Congresso Português
de Malacologia 2005
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Zoomarine –Algarve, nos dias 16 e 17 de Abril

Contactos:
Instituto Português de Malacologia
Zoomarine
EN 125 Km 65 - Guia
8201-864 Albufeira
ipm@zoomarine.pt

70. «Formar Arqueologia» - Mesa Redonda

(via email do meu estimado colega Pedro Barros)
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Núcleo Interdisciplinar de Estudos do Património

Mesa-Redonda

FORMAR ARQUEOLOGIA

Em torno dos Ensinos Superior e Profissional, Processo de Bolonha e actividade arqueológica

26 de Fevereiro de 2005

Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa
Av. de Berna 26-C
Auditório 1, 13h45

Com a participação de:

António Valera
ERA, Arqueologia S.A.

Fernando Real
Instituto Português de Arqueologia

José Arnaud
Associação dos Arqueólogos Portugueses

Lino Dias
Escola Profissional de Arqueologia

Luiz Oosterbeek
Instituto Politécnico de Tomar

Maria da Conceição Lopes
Universidade de Coimbra

Rosa Varela Gomes
Universidade Nova de Lisboa

Sérgio Carneiro
Associação Profissional de Arqueólogos

Víctor S. Gonçalves
Universidade de Lisboa

A formação específica de quem trabalha hoje em Arqueologia é condição essencial para a definição das suas competências, o seu desempenho profissional e para o reconhecimento social da área.
Quais as falhas, os sucessos e os projectos? Que impactes na actividade arqueológica terão as reformas estruturais que se avizinham, para o Ensino Superior? Quem trabalha em Arqueologia hoje e quem virá a trabalhar amanhã?

Informações:

A inscrição é gratuita e dará direito a materiais de apoio.
Poderá ser feita no local ou, de preferência, através dos seguintes contactos, com indicação de Nome/Função/Instituição/Contacto:

niep@sapo.pt

93 863 21 28

NIEP - Núcleo Interdisciplinar de Estudos do Património
Associação de Estudantes
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
Universidade Nova de Lisboa
Av. de Berna, 26-C
1069-061 LISBOA

Apoios:

Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa
Câmara Municipal de Lisboa
Caixa Geral de Depósitos

69. Explicações

Desculpem a ausência, mas por vezes o trabalho, a criança e a preguiça transforma-se num gigantesco obstáculo difícil de contornar...

Adenda [20:45]: estava eu a preparar os posts acima quando a &%$# da ligação SAPO ADSL resolveu cair. Só a consegui restabelecer agora mesmo... (e Portugal está a perder 1-0 com a Irlanda! ).

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